sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bidú Sayão


Apesar da falta de inspiração que levantasse uma discussão entre a gente, caro leitor, mas tenho que tornar público o que por acaso tive o prazer de conhecer diante de um documentário à respeito do que eu chamaria de "Madona" (e não Madonna) brasileira, a saber, Bidú Sayão.

Seu nome é Balduína de Oliveira Sayão, Bidú nasceu em Itaguaí em 11 de maio de 1902 e falecida em 13 de março de 1999. A soprano começou estudando canto com Elena Teodori, contudo, não era uma de suas prioridades em sua vida. Com uma paixão ardente pela representação, Bidú lança à mão sua voz para poder representar - o que na sua época era censurado. Tempo em que a cultura era severamente sistemática com as mulheres, não era bem visto, diante da sociedade, uma mulher de família destacar-se públicamente, é através de suas cordas vocais que Bidú econtrara as chaves para realizar o que mais desejou. 

Em tempos posteriores a soprano vai para França tornando discípula de Jean de Reszke. Com sua estreia em 1926 no Teatro Constanzi em Roma no papel de Rosina em "O Barbeiro de Sevilha" composto por Rossini - surge o que seria o caminho para o estrelato. Dentre outras apresentaçõs como Metropolitan Opera House de Nova Iorque em 1937 na ópera de Massenet, e outras representações mediante convites de outros grandes compositores renomados no horizonte músical como Debussy e Villa Lobos que, aceitando o convite do músico em 1959 grava a obra "Floresta Amazônica".
Sayão recusara a cidadania oferecida por Rossevelt para concretizar o desejo de terminar sua vida nas experiências do solo brasileiro - "No Brasil eu nasci e no Brasil morrerei".
Bidu Sayão se apresentara pela última vez, agora em sua terra, Rio de Janeiro em 1937, cantando "Pelléas et Mélisande no Teatro Municipal. Rumores contam que sua representação foi vaiada por ser considerada uma cantora norte-amerianizada e que não conservara suas características de mulher carioca para interpretar o sucesso de Carmen. Teve sua força vital interrompida por uma pneumonia muito combatida na clínica Rockport em 1996.

Enfim, fiquei encantado com a vida desta "Madona" e tive o maior desejo de dividir isto com vocês. A vida da soprano é tão sedutora que ao cair nos ouvidos do sambista representante da escola Beija-Flor, este transformara sua vida numa melodia em seu enredo contemplado no ano de 1995.




quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"O Céu é meu Inferno"


 A relação entre a ética "transcendental" da religião e a convencional civil, trouxe - e ainda traz, muitas conturbações. Analisando um pouco mais as teorias de cada projeto, tendo por fundamento ambas as éticas como resultado do processo cultural, sugiu o questionamento sobre a possibilidade da ética religiosa atender - através de seus conjuntos de regras - o funcionamento comportamental do ser homem enquanto humano e, não vi outra saída se não opor a este modelo ético "transcendental". Tendo em vista a finalidade do ser (sua completude), a religião advoga a favor da noção da impossilidade de um estatuto do homem no campo do mundo, ou seja, de que o sujeito deveria se constituir na aplicações de práticas ancoradas na natureza divina (perfeita, absoluta, Boa), portanto, a tarefa moral presente na teoria religiosa que, consiste na relação entre espírito e eternidade, só pode ser concretizada no mundo que constitui o sujeito negando toda sua natureza humana, o que erige um paradoxo. Obviamente, agir segundo a natureza "imperfeita" do homem desenbocaria na idéia de falta de benevolência e perfeição.

É difícil conceber uma perspectiva dialética que debruça em seu interior o movimento de ser negando a si próprio. Ora, para ter uma idéia mais clara, pensemos por um momento, sob esta perspectiva dialética, alguns dos fenômenos referente ao processo. Um dos candidatos categóricos para a finalidade do homem são as afecções reguladas nas operações de negação do ser de sua natureza. Aqui, a ética religiosa, no que diz respeito à expericência com o outro, limita o sujeito ao esvaziamento de conteúdos de sua forma, como, por exemplo, reprimir o sentimento de ódio (repulso) que podemos ter com o outro e "oferecer a outra face". Ora, se há circunstâncias na qual nasce por comoção este sentimento, é condição de ser algo da natureza do homem para que seja despertado em seu interior e, que tem sua realidade dependente do ser humano. Negar certas afecções como esta, ou seja, negar a expêriencia de sentidos internos, não seria o mesmo que negar a natureza de homem e, por conseguinte, sua apercepção; necessária para a condição do ser enquanto homem.

Sublimar o sexo na qualidade de procriação representada numa manobra que começa a existir no campo do pecado (imperfeição), não é pensar o desejo instintivo do prazer sexual sobre algo do mundo exterior, criando um abismo entre o homem e a libido? Este objeto do sentido interno, com efeito, exige biológicamente sua satisfação. No instante de negação, a libido deixa de ser o ponto de vista no qual se vê a natureza humana e passa a ser objeto transcendente que acompanha toda representação de negação do ser.

Se para atingir a finalidade absoluta do ser humano (céu, imortalidade, vida eterna) seja preciso acomodar-se às tarefas éticas presente na religião, que consiste numa dialética que só pode ser propriamente compreendida ao se lançar luz sobre ações constituídas num modelo comportamental de caráter extra-humano, então, o céu (imortalidade) é meu inferno. Não posso, nem por sacrifício em nome de uma eternidade, negar todas as instâncias de meu ser.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Harmonia e Regularidade



Depois de muitas leituras de Hume sobre causalidade e o hábito, me questionei sobre o conceito de regularidade e harmonia. Estas, ao meu ver, aparecem no interior da experiência científica na busca da objetividade. Ora, a ciência moderna aplica seu método como uma fórmula na busca do resultado já pré-visto, caso o resultado não atinge o esperado, pode-se considerar como erro, mas aqui o errado é tudo aquilo que sai do contexto do pré-visto e, será que tudo que sai do horizonte do conceito de regular e harmônico pode ser conciderado um erro?

O cientista toma como pressuposto a natureza como perfeita que urde do conceito de regularidade e harminia, portanto, o objeto da natureza é imperfeito quando não corresponde com este ideal. Mas, de fato, é um ideal. O conceito de regular e harmonia não é uma propriedade de qualquer objeto que seja e que nos leve a atribuir que seja da natureza deste. Portanto, não é deste último isolado que retiramos estes conceitos, mas sim da faculdade lógica da mente que podemos inferí-los. Como sabemos, a representação de um objeto é espaço-temporal, como também, que pela intuição do tempo que percebemos as mudanças, o que faz com que inferimos que uma larva que vemos num determinado tempo conserva sua identidade num tempo posterior em que se transforma numa borboleta, caso contrário, não poderiamos inferir que a larva e a borboleta é a mesma durante sua mudança. É desta capacidade lógica do entendimento que podemos inferir um movimento de transformação da borboleta e que é "igual" em outros casos o que torna este conceito de transformação algo regular e harmônico. Em outros termos: a experiência dos estados repetidos de mudanças no tempo, percebidos em circustâncias distintas mas de mesma espécie engendra a universalidade, ou seja, a permanência dos resultados sempre iguais. O que traz à luz o pensamento humeniano do hábito de sempre esperar o mesmo resulto, da necessidade do efeito possuir a mesma causa.

Aqui já clareia o eixo de todo discurso. O que encontra-se em causa aqui é, depositar no conceito de harmonia e regularidade todo grau de objetividade para dar conta de questões científicas é edificar toda verdade em muros de bases tênues. Ora, eu não posso tomar categoricamente os conceitos de harmonia e regularidade e aplicá-los no interior de uma fórmula para chegar a uma verdade empírica, isto não se aplica em todos os casos. Para se ter uma idéia mais clara do pensamento que procuro por em movimento aqui é que, não podemos inferir de todos os casos que algo ou alguém é imperfeito ou anormal, já que tomandô-os como objetos não correspondem com os conceitos de regularidade e harminia. Em outros termos: não se pode inferir anormalidade ou imperfeição de objetos que escapem ao príncipio de perfeição, já que como quis demonstar o conceito de perfeição é tecido num corpo ideal e habitual de regularidade e harmonia. Recorrer à este princípio para explicar algo é cair - em certos casos - no erro, ou seja, se precipitar no juízo de um conceito; de um pré-conceito.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Antropomorfia

 Como o próprio título indica, o blog destina-se em descrever a relação entre o mundo e o homem; sua capaciade de, ainda nos dias de hoje, atribuir qualidades da condição humana às formas inanimadas da natureza e seres irracionais.

A palavra antropomorfia de origem latina "anthropomorphisme", é uma palavra composta:  antrop e morfia. Onde, Antrop- quer dizer  homem, com o sentido de oposição aquilo que é divino e -Morfia quer dizer forma, ou ainda, formador de substância.

A antropomorfia é objeto de estudo da Filosofia. Esta compreende seu objeto como uma visão do mundo que busca entender a realidade atribuindo caracteristicas e comportamentos típicos do ser humano às formas inanimadas e seres irracionais na busca de um discurso positivo que dê conta de explicar os fenômenos naturais. A atividade ingênua da antropomorfia, adotada por séculos para explicar o mundo, permanece ainda enraizada nos dias de hoje, como que uma categoria, em distintas formas de argumentos. Se voltarmos à antiguidade, vemos que Xenófanes já identificara o germe destrutivo da antropomorfia presente no interior da linguagem religiosa de sua época, não só encravado na linguagem, mas também, nas referências "totêmicas" atribuidas aos animais. Não precisamos ir longe para contextualizar o que se encontra em causa aqui. Ora, se dirigir a vaca como um espécie divina, não significa o mesmo que travestí-la de objeto simbólico sagrado? Tentar afagar um "irmão" com palavras de que "Deus te carrega no colo", isto não parece ser uma atitude antropomórfica? Veja, não estamos neste caso atribuíndo à Deus além de mãos e braços, músculos firmes - todos atribútos do ser homem? Não quero com este discurso demonstrar qualquer tipo de prepotência etnocêntrica. Só quero despertar aos leitores a inquietude de refletir se lançar-mos à mão a  atividade antropomórfica para compreender o mundo, ou seja, se cedermos à antropoformia o locus de uma linguagem, poderemos avançar para um conhecimento significativo? Talvez, deva ser a hora de "criar-mos um abismo" entre conhecimento e antropomorfia.